sábado, 7 de abril de 2012

Complexo da Inferioridade

Números 13 
É lamentável constatar como tantos cristãos vivem dominados pelo complexo de inferioridade, esmagados pela prejudicada autoestima, com a autoimagem achatada. São pessoas que vivem amargando e curtindo um profundo sentimento de autor repúdio e desvalor. Estes olham para dentro de si mesmos e enxergam-se com lentes embaçadas e olhos míopes, tendo de si mesmos os conceitos mais distorcidos e despoletados.
Há pessoas que são como os dez espias de Israel. Eles eram príncipes, nobres, homens de valor. Foram escolhidos criteriosamente por serem homens fortes, inteligentes, líderes, representantes ilustres de suas tribos. Moisés os enviou para conhecer a terra prometida e depois, com relatos vivos, incentivarem o povo a lutar com galhardia na sua conquista. Eles foram. Passaram lá quarenta dias. Ficaram deslumbrados com a exuberância da terra. Era uma terra fértil, boa, que manava leite e mel. Era tudo quanto Deus já havia falado. Voltaram da jornada com os frutos excelentes da terra. Todavia na hora de dar o relatório, disseram a Moisés e ao povo que a terra era boa, mas devoram os seus habitantes; a terra manava leite e mel, mas eles não conseguiriam entrar lá; pelo contrário, morreriam no deserto, comendo pó, pois lá havia gigantes ameaçadores e imbatíveis, e, aos olhos deles, eles eram gafanhotos. Eram príncipes mas se sentiram diminuídos diante dos gigantes; eram nobres, mas sentiram-se desprezíveis; eram valorosos, mas sentiram-se como insetos; foram tomados por um sentimento doentio de auto-desvalorização e, consequentemente, de impotência.
Há hoje um batalhão de pessoas derrotadas pela síndrome de gafanhoto. Gente que se considera um inseto. Estes caminham pela vida cabisbaixo, vencidos, desanimados, desencorajados para a luta. Não crêem nas promessas de Deus. Só olham para as dificuldades, para os gigantes, e não para Jesus. São pessoas que vivem choramingando, entoando o cântico triste e amargo de suas derrotas antecipadamente. Acham que nada vai dar certo na vida, que não adianta lutar e que estão engajadas numa causa perdida e sem esperança. Há muitas pessoas que foram vencidas não pelo gigante das circunstâncias, mas pelo gigante de seus sentimentos turbulentos. Esses caminham pela vida catando como a galinha d'angola: "To fraco, tô fraco, to fraco". Eles dizem que nada vai dar certo, não vão conseguir, não adianta lutar, pois há gigantes no caminho.
Aqueles dez espias conseguiram contaminar todo o arraial de Israel com o seu pessimismo e toda aquela multidão se alvoroçou rebelada contra Moisés, insurgindo-se contra Deus, porque foi envenenada pela síndrome de gafanhoto. Toda aquela multidão perambulou quarenta anos no deserto, porque deu ouvidos à voz dos arautos do caos e não às promessas de Deus.