terça-feira, 18 de outubro de 2011

FERIDOS EM NOME DE DEUS

Esse mês estive lendo um livro que há um certo tempo estava ansiosa para ler. O livro é Feridos em nome de Deus, (São Paulo: Mundo Cristão, 2009), da jornalista cristã Marília de Camargo César.
O livro é Maravilhos! O modo como a jornalista aborda o tema de abuso espiritual é de grande importância para abrir olhos e mentes de pessoas dominadas por seus líderes. O livro é um despertar para cristão...s que vêm se submetendo à humilhante condição de serem moral, emocional e espiritualmente abusados pelos líderes de suas igrejas, acorrentando-os em suas distorções do evangelho, para serem "senhores" e não pastores de suas ovelhas.
A cada página que eu lia, fui viajando a um passado nem um pouco distante (mas isso é uma longa história).
O abuso espiritual tem se tornado comum em muitas igrejas. Acredito que boa parte do crescimento disso, tem acontecido pelas próprias igrejas, por idealizarem e colocarem a figura do pastor num altar, mistificando a sua imagem, acreditando ser ele "a voz de Deus". Isso acaba contribuindo para a prática do abuso.
Muitas até tem perdido seu caráter institucional, dando ao líder o poder de total decisão ao planejamento e controle da comunidade.
Iludidas com sua liderança, as ovelhas acreditam piamente que tudo o que o seu líder decide é por vontade de Deus. E ai daquele que discordar dos planos do "ungido de Deus", que como eu até já ouvi, pode ser chamado de rebelde e até feiticeiro! Isso mesmo! Muitos usam o versículo de 1 Samuel 15.23, que diz: "Porque a rebelião é como o pecado de feitiçaria..." Aqueles que não aceitam essa manipulação escrachada, que somente os tolos não enxergam, se afastam da comunidade. Uma vez ouvi um comentário de uma irmã, que nem sequer ía frequentemente à igreja, que disse que aqueles que estavam saindo da igreja eram o "joio".
Muitos líderes, para manter sua imagem de "ungido", "profeta de Deus", passam por cima de qualquer pessoa, e usam até mesmo a igreja para tal ato. "A igreja que passa por cima das pessoas para implantar um reino, não pode estar sob liderança d'Aquele que, temporariamente, abriu mão de um reinado para resgatar vidas." (Feridos em nome de Deus, pg. 72)
Eu concordo que os dois lados são vítimas. Os que são abusados, deixando humilhar-se por acreditarem estar sofrendo pela obra de Deus e por temor ao "profeta"; e os que abusam, que geralmente são dominados por seu ego, o homem carnal que todos temos, alimentado pela submissão da igreja e outros que antes já foram vítimas de abuso de autoridade. Isso acaba gerando um ciclo que não tem fim.
"Segundo Osmar Ludovico, autor de Mediatio (São Paulo: Mundo Cristão, 2007), o pastor centralizador e autoritário precisa sair de cena. Mas não só ele. Aquele que é liberal e manso também deve sair. E, no lugar desses dois tipos, entra Jesus cristo, o Senhor, que é o Verdadeiro Pastor. O Pastor sem manchas. 'Somos chamados a ser discípulos de Cristo, e não de uma pessoa ou de um pastor.'(Feridos em nome de Deus, pg. 41)"

Feridos em nome de Deus é um livro que direciona o leitor a encontrar-se em si mesmo e ver a realidade da liberdade do evangelho real, e não a prisão da manipulação e dominação pastoral da igreja de hoje.

Parabéns pela coragem que muitos não tem e sofrem calados e guardam feridas eternas por que  tem medo de perder suas posições ou seres excluídos dos rous de membros.  
Marília de Camargo César em seu livro de estreia, Feridos em nome de Deus (editora Mundo Cristão), que será lançado no dia 30. Marília é evangélica e resolveu escrever depois de testemunhar algumas experiências religiosas com amigos de sua antiga congregação.
  Veja a entrevista no link abaixo
http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI80245-15228,00.html
Creditos para: Marília de Camargo
Eu Cristiane Silva